Paróquia de São Lucas

Uma comunidade episcopal anglicana na Zona Sul do Rio de Janeiro.

Missão e Crescimento da Igreja: o conceito de Missio Dei

O conceito de “Missio Dei” tem sido o fundamento para a reflexão anglicana sobre a missão da Igreja. Trata-se de uma abordagem não eclesiológica de Missão. Não determina “como a Igreja deve ser”, nem “o que ela deve fazer”. Esse conceito procura perceber a ação de Deus na História, ou seja, pressupõe uma perspectiva cristã da História.

Em Cristo, Deus está em missão. A missão é de Deus, a Ele pertence, é Ele quem age através do Espírito Santo. Portanto, é na Sagrada Escritura e na Tradição da Igreja que vamos encontrar os parâmetros fundamentais da nossa Missão, que está sempre inserida na Missão de Deus.

Resumindo, Deus atua também através da ação evangelizadora da Sua Igreja – aqui entendida como a comunidade eclesial, não a instituição eclesiástica. Ou seja, cada cristão e cada cristã são cooperadores de Deus em Sua Missão.

Por isso, é importante diferenciar “Evangelização” de “Evangelismo”. Esses dois conceitos são distintos, embora, hoje em dia – no universo evangélico do Brasil – muita gente trata os dois conceitos como sinônimos.

Evangelização é a presença da Igreja no mundo, como sinal (sacramentum) e testemunha (martyria) da ação de Deus – em Jesus Cristo – na História, guiada pelo Espírito Santo. O conceito de Evangelização deixa claro que a ação da Igreja não é, simplesmente promover seu próprio crescimento institucional ou eclesial. Implica que a Igreja é, ela mesma, resultado da ação de Deus; por isso, deve estar envolvida e engajada em todos os aspectos da realidade, inserida na vida e na história, promovendo a vida em abundância, pois é sinal da presença d’Aquele que veio para que todos tenham vida e vida em plenitude (cf. João 10.10b).

Portanto, a ação de evangelizar não é só proclamar a Boa Nova, mas atuar no mundo à luz do Evangelho. Cada cristão e cada cristã atua, fortalecidos pela graça, na Missio Dei através da evangelização, inserido-se, como cidadão e cidadã responsável, no mundo onde “há muita força que produz a morte”, no dizer de uma canção de louvor dos anos 80 (Deus chama a gente p’ra um Momento Novo). Essa inserção no mundo significa tomada de posição diante da realidade, a partir dos valores do Reino.

Cada um de nós, cristãos e cristãs, é cooperador na Missio Dei (Missão de Deus), através das ações, posições e coerência com os valores do Reino que anunciamos. Evangelizar não é sair do mundo, mas – guardados do mal pelo poder de Deus – é estar presente no mundo. É crer que o mundo é redimido pelo sacrifício de Jesus Cristo, e anunciar isso através da prática coerente com os valores do Reino; é acreditar que, exatamente por causa dessa redenção, um outro mundo é possível e posicionar-se como agente de transformação. (cf. João 17.11-18)

Evangelismo é o simples ato de fazer proselitismo, buscar conversões, fomentar o crescimento da Igreja quanto à sua membresia. O evangelismo implica em usar estratégias de convencimento imediato e táticas de propaganda.

Quando o objetivo é, como quase sempre, retirar a pessoa do mundo para colocá-la na Igreja, “protegendo-a do mal” e alienando-a da realidade social que a cerca, a Igreja deixa de ser a comunidade de anúncio e testemunho – deixa de ser sacramento, proclamação e martírio para se tornar a comunidade dos ausentes, dos autoexcluídos.

Eu estou seguro que o real crescimento da Igreja não é decorrente da propaganda e estratégias de convencimento ou do carisma pessoal de determinado pregador. Crescimento da Igreja não significa aumento de clientela! Fazer a Igreja crescer não é fazer proselitismo ou apenas evangelismo. O crescimento da Igreja é obra do Espírito Santo, é resultado da Missio Dei.

Isso é bem claro no Novo Testamento: Jesus anunciou a Boa Nova do Reino, não buscou fazer prosélitos ou seguidores; os apóstolos anunciaram a Boa Notícia, faziam a boa obra e tinham plena consciência de que o incremento da comunidade era obra de Deus (Atos 2.42-47; Atos 5.42; Atos 14.27; 1 Coríntios 2.1-5; 1 Coríntios 3.6-9). O Apóstolo São Paulo não se identificava com aqueles que “estão mercadejando a Palavra de Deus” (cf. 2 Coríntios 2.14-17).

Creio ser da máxima importância que nossa comunidade reflita profundamente sobre o significado bíblico da Missão, e se disponha a agir aqui, onde estamos.

Rev. Luiz Caetano, ost+

Artimanhas do Inimigo

Desta vez, apresento um texto extenso, mas creio ser importante para todas as pessoas cristãs.

Satanás é um sujeito muito esperto, que se sente todo poderoso (ou, na verdade, pretendia ser!) cuja tarefa é tentar para depois acusar. Claro que esse sujeito age com a permissão de Deus. O Livro de Jó nos mostra isso, de forma bem clara! A grande arma de Satanás é explorar facilmente os pontos fracos de alguém para atacar esses flancos. É um bom estrategista.

A narrativa da Queda nos mostra a maneira sutil de sua forma de agir: tenta o ser humano com o Poder (ser igual a Deus), aliás, motivo que provocou sua própria expulsão da Corte Celeste. Tendo sido seduzido pelo poder, ele tenta seduzir com a sugestão do pode (cf. Genesis 3.1-6 e a sequência).

Um dos nomes que o identifica é Lúcifer, algo como “Iluminado”, “Grande Luz”! Mas trata-se de uma luz que não ilumina, antes, ela cega! Ao invés de iluminar caminhos, ela cega e não permite que se veja por onde se caminha, e assim acaba-se no abismo da dor e do sofrimento. O Pai da Mentira age de forma sutil, não tão explicitamente como na narrativa da Queda, escrita exatamente de forma simples para que possa ser compreendido como uma advertência e um aviso de cuidado.

O Diabo (nome derivado de uma palavra grega, diabalon, que significa “aquele que quebra, que rompe, que des-une”) lança sua luz ofuscante exatamente sobre as nossas fraquezas, inseguranças, temores e sempre nos ataca em momentos de grande fragilidade.  Cria-nos a vontade obsessiva de manter tudo sob total controle de nós mesmos. Não se trata de inspirar precauções, atitudes de prevenção, mas de nos fazer desejar, que tenhamos total e absoluto controle sobre tudo em nossa vida, fazendo-nos acreditar que assim diminuiremos nossas inseguranças e fraquezas. Leva-nos a agir como se tivéssemos o poder de controlar tudo e impedir que algo de “mal” nos aconteça, ou melhor, algo aconteça sem a nossa vontade e permissão!

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Jesus em meu lugar!

Quando da minha conversão e descoberta do Protestantismo, um livro me impressionou muito e – devo admitir – marcou profundamente minha espiritualidade. Hoje o estou relendo com um crivo crítico apurado, adquirido após 49 anos de vivencia cristã.  O livro trata da resposta a uma única pergunta, que aliás é o seu título: “Em teus passos, o que faria Jesus?”, de Charles M. Sheldon, em nova edição.

Naturalmente, Sheldon era moralista e fundamentalista; o livro tem essa carga toda. Mas não deixa de ser impressionante o que lá é contado e a reflexão que sugere: a pergunta é absolutamente relevante e perturba qualquer cristão que vive sua fé de forma madura e a quer consequente.

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Os donos da verdade e a Verdade

Todos nós conhecemos pessoas que se acham “donas da verdade”. Elas estão por ai: na escola, no ambiente de trabalho, aparecem aos montes pela mídia, e – o que é pior – até na Igreja tem gente assim!
São aquelas pessoas para as quais quem pensa diferente delas, está errado. Só elas estão certas, só suas ideias são as corretas, só sua maneira de agir é que serve. Isso fica pior quando se trata de “religião”.
Todavia, a experiência religiosa é algo muito pessoal, algo muito íntimo. Imagine que eu te dê algo para comer, e te diga: “tem gosto de laranja”. Se você conhece o gosto da laranja, tudo bem, vai entender e até já imagina o sabor. Mas tente explicar para alguém que nunca viu ou provou uma laranja qual é o gosto da laranja.

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Quem somos nós, os Episcopais Anglicanos?

Anglican Communion

A Comunhão Anglicana

A Comunhão Anglicana é formada por Igrejas Nacionais (ou Regionais – subcontinentais), Autônomas e Autóctones, que são chamadas Províncias.  Cada Província tem sua organização própria. É “presidida” por um Bispo Primaz, também chamado Bispo Presidente, Primus, ou Arcebispo em alguns lugares. A Província é governada pelo Sínodo Geral, composto pelas delegações clericais e leigas de cada Diocese e mais a Câmara dos Bispos. Os votos são sempre paritários. O Bispo Primaz preside o Sínodo, a Câmara dos Bispos (como Primus Interpares) e a Província, mas não tem jurisdição sobre as Dioceses, além da sua própria. Em termos da Ciência Política, eu diria que o Anglicanismo, como o Protestantismo, adota a forma Parlamentarista de governo.

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