O SACRIFÍCIO PERFEITO E ÚNICO, COMPLETO E SUFICIENTE

Quando recebemos o Santo Batismo,  somos “mergulhados na Morte e Ressurreição do Senhor Jesus Cristo”! Isso significa que somos inseridos na Salvação dada por Cristo e nos tronamos novas pessoas, nos tornamos parte da comunidade da Igreja (que é mais que uma simples instituição), cidadania do Reino de Deus!

Mas, ao mesmo tempo, recebemos a tarefa de testemunhar este mesmo Senhor Jesus Cristo, morto, sepultado e ressuscitado, Luz do Mundo, Pão da Vida! Redentor da humanidade! Salvador!

O sentido de “autossuficiência humana” não leva as pessoas à felicidade, nem à vida em plenitude. Afastados de Deus pelo pecado, cuja origem é exatamente a autossuficiência em extremo – o querer ser igual a Deus – não somos capazes de retornar à plenitude da vida por nós mesmos. Nos descobrimos nus, como diz a narrativa da queda do ser humano em Gênesis 3, isto é, nos deparamos com a verdade de nossa impotência diante da realidade da vida, de nossa fraqueza em conduzir-nos por caminhos de alegria e vida em plenitude.  Nossa impotência diante da morte.

Nosso sentido de transcendência nos diz que necessitamos de um sacerdote, um intermediador entre nós e o Deus Altíssimo, para que ofereça sacrifícios a Ele e consiga para nós o perdão e o restabelecimento da relação com Ele, o retorno ao Jardim onde Ele passeia pela tarde… (cf. Gênesis 3). Assim, desde o início das civilizações, os seres humanos se tornam dependentes de sacerdotes e/ou sacerdotisas para estarem em paz e diante de Deus.

O autor da Epistola aos Hebreus nos recorda que mesmo os sacerdotes necessitam, antes, oferecer sacrifícios por si mesmos, para depois sacrificarem em favor do povo. Ou seja, esse sacerdócio não é completo. Mas nos diz o autor de Hebreus,

4.14 Portanto, fiquemos firmes na fé que anunciamos, pois temos um Grande Sacerdote poderoso, Jesus, o Filho de Deus, o qual entrou na própria presença de Deus. 15 O nosso Grande Sacerdote não é como aqueles que não são capazes de compreender as nossas fraquezas. Pelo contrário, temos um Grande Sacerdote que foi tentado do mesmo modo que nós, mas não pecou. (Hebreus 4.14-15)

Assim, Cristo é o nosso sacerdote, aquele que realizou o sacrifício único, completo, perfeito e suficiente, por toda a humanidade. Cristo é o nosso único e perfeito Sumo Sacerdote. Não precisamos de outro.

Quando somos batizados, somos também mergulhados no sacerdócio de Cristo; a Igreja diz “o sacerdócio de todos os cristãos e cristãs”, mostrando que não necessitamos de intermediários para termos acesso a Deus. Os sacerdotes cristãos, os reverendos e reverendas, presbíteros e presbíteras, não o são por si mesmo, mas exercem o sacerdócio da comunidade, com a comunidade e para a comunidade de fé. Não há pastor ou pastora sem a comunidade, nem comunidade sem pastor, porque Jesus Cristo é o Pastor.

Jesus Cristo nos alcançou esse privilégio através de sua Paixão, Morte e Ressurreição, que nós. aos domingos, reafirmamos quando celebramos, em comunidade (exercendo o nosso sacerdócio em Cristo) a Santa Eucaristia.

Assim, nesta Sexta-Feira da Paixão, quando rememoramos o sofrimento de Jesus por toda a humanidade, não estamos apenas afirmando Sua Morte, mas celebrando o nosso Sacerdócio universal de todas as pessoas batizadas.

Que sejamos dignos desse Sacerdócio!

Concluímos citando, mais uma vez, a Epístola aos Hebreus:

16 Por isso tenhamos confiança e cheguemos perto do trono divino, onde está a graça de Deus. Ali receberemos misericórdia e encontraremos graça sempre que precisarmos de ajuda. (Hebreus 4.16)

Logo celebraremos a Páscoa e daremos nosso testemunho da Ressurreição de Jesus. Hoje, estejamos em reflexão, buscando novos horizontes para nossas vidas!

Rev. Luiz Caetano, ost+

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