Como o diabo faz o Inferno parecer o Céu

Grande parte da população é composta por pessoas que agem sem pensar; que, pela ignorância induzida, se deixam levar pelas mais vergonhosas formas de publicidade, convencidas, por exemplo, que precisam comprar o último modelo de um simples telefone celular  para serem reconhecidas e respeitadas pelas outras pessoas que, por isso mesmo, debocham e manifestam seu desgosto porque certa pessoa não tem o último modelo… o qual, até então, não lhe fazia falta e realmente não lhe faz falta a não ser para ficar “por dentro, ou seja, ser reconhecida e acolhida pelas outras pessoas  como “normal”, “atual”, “moderno”, “in”, … essas babaquices todas!

A economia capitalista necessita do consumo para crescer; o consumo, para se manter crescente e cada vez mais produtor de riqueza (que não é distribuída, mas acumulada por poucos), necessita de produtos que durem pouco, porque afinal a quantidade de consumidores não é infinita… ou seja, o mercado precisa que a gente re-consuma as coisas para se manter ativo… e por isso inventa necessidades que não temos para que pensemos que as temos (para isso serve a publicidade, indutora de “valores de felicidade”) e com isso, consumir aquilo que nos convencem ser realmente necessário para sermos felizes! É mais ou menos isso que se chama “realidade líquida” (cf. Zygmunt Bauman).

A massa se encanta com as “novas” tecnologias, que se apresentam no mercado como surgidas de forma mágica, do nada, massa fica admirada com a capacidade científica do Império… Na verdade, quando uma “nova” tecnologia surge no mercado, ela já está ultrapassada e com prazo contado para durar (hoje em dia, algo em torno de seis meses no máximo).

Uma das afirmações do tipo “auto ajuda” que se partilha e compartilha aos milhares nas redes sociais é a afirmação de que somos responsáveis pelas nossas escolhas… e sofremos as consequências delas! Isso é totalmente idiota! Simplesmente porque, na maioria das vezes, não temos realmente escolha ou somos enganados, levados pelas mais sutis formas de indução e controle externo da vontade pessoal.

Essa é a sutil maneira encontrada pelo diabólico “sistema de dominação” para nos manter na permanente sensação de culpa pelas mazelas que acontecem em nossas vidas e na própria sociedade, e aliviar-nos com o consumo de coisas realmente das quais não precisamos.

É fácil dizer – por exemplo – que se fez escolha errada quando, na verdade, não há escola pública de qualidade para que a família pobre possa matricular seu filho; que opção tem? Por isso, o Governo, para aliviar a consciência da elite e do Estado, cria normas como aprovação compulsória nas escolas, quotas na Universidade para estudantes da rede pública e outros paternalismos, mas produz, ao mesmo tempo, um sistema educacional totalmente deficiente e inadequado, que impede o desenvolvimento de uma massa crítica na sociedade e de uma consciência cidadã. Mas a família pobre se sente culpada pelos insucessos futuros do filho.

A Culpa, aliás, tem sido a base da cultura ocidental devido à nossa herança do mundo judaico-cristão utilizada de forma trágica e muito esperta pelas elites dominantes desde o Império Romano dito cristianizado (a famosa “cristandade”, ou seja, cristianismo de massa, e como tudo que é massa, plenamente maleável e ajustado, sem vontade própria).

Sentindo-se culpado pela própria impossibilidade de viver com dignidade, o sujeito fica cego para a baderna política do “toma-lá-dá-cá” que move as elites, e fica retido em um curral eleitoral com medo de perder as benesses do paternalismo estatal!

Pão e Circo era o esquema do Império Romano… hoje, o circo é eletrônico, o pão está envenenado pela indústria alimentícia  e é pouco!

A culpa é sua por ter escolhido nascer; tá reclamando do quê?

Todavia, o Evangelho nos convida para outra realidade. O falso Paraíso do consumismo é confrontado por nosso Senhor Jesus o Cristo, de forma contundente. Deixo para você, leitor e leitora, a tarefa de refletir e comparar nossa realidade com o Evangelho; caso contrário, eu estaria simplesmente usando a mesma tática do Mercado: fazer você acreditar em uma “verdade” sem a chance de refletir. Deixe de lado seu What’sApp, pegue sua Bíblia e leia, escolha um Evangelho ou outro texto do Novo Testamento e leia. Reflita! Liberte-se de consumir informação pronta! Sua vida merece! E é de graça! é Graça!

Rev. Luiz Caetano, ost+

Um comentário em “Como o diabo faz o Inferno parecer o Céu”

  1. Realmente é de se pensar se tudo que consumimos é realmente necessário, é realmente útil.
    Obrigada por esta reflexão que alerta sobre como o mercado (e o diabo) faz tudo parecer bonito…

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