Sacramentos

A Igreja nos ensina que os sacramentos são meios de graça, ou seja, são formas através das quais o amor salvador de Deus chega até nós. Aprendemos no antigo catecismo da IEAB a definição de sacramento: “sacramento é um sinal externo visível de uma graça interna espiritual”.

Isto pressupõe que um sacramento é dividido em duas partes. A primeira vem da primeira metade da definição acima. Um sinal é algo que aponta para algo que é maior que ele próprio. Por exemplo, uma placa, num poste, com a palavra escola aponta para algo maior que a própria placa. A placa não é a escola, apenas indica que há uma escola nas proximidades. Continuemos, então. Externo é algo que está fora de nós ou de nosso corpo. Por exemplo, existem remédios de uso interno, como xaropes e comprimidos e há remédios de uso externo, como pomadas e loções. Finalmente, visível é algo que podemos enxergar. Desse modo, a primeira parte da definição de sacramento é caracterizada pelo uso de gestos e elementos concretos que sentimos e enxergamos e que apontam para uma realidade maior.

A segunda parte do sacramento, às vezes, é mais difícil de ser percebida. Ela acontece dentro de nós sem que possamos medir sua intensidade. Por isso, é interna. Nós não a vemos, mas ela acontece de modo maravilhoso. Por isso, é espiritual. E isso tudo não acontece porque nós queremos ou fazemos alguma coisa. É um presente, um dom de Deus, uma graça (“charis”) oferecida. Falar assim pode tornar as coisas difíceis de entender. Então, vamos analisar cada um dos sacramentos e ver como se caracterizam essas duas partes:

Para finalizar, um texto extraído do livro “A fé que professamos”, de James Pike e Norman Pittenger:

É notável o paralelismo íntimo que existe entre os sacramentos e ritos sacramentais da Igreja, de um lado, e os estágios naturais da vida humana, de outro. Isso é uma prova da validade da vida sacramental dos fiéis cristãos. Nascemos dentro de uma família humana, pelo Santo Batismo tornamo-nos membros da Igreja de Cristo e herdeiros do reino dos Céus. Necessitamos de fortalecimento natural quando assumimos os deveres e responsabilidades da vida adulta, na Confirmação recebemos o Espírito Santo que nos dá poder na nossa carreira cristã. Temos que ser continuamente alimentados com comida natural para poder manter-nos fortes e saudáveis, na Ceia do Senhor ou Santa Comunhão nossas almas são “fortalecidas e confortadas pelo Corpo e Sangue de Cristo, que são espiritualmente tomados e recebidos pelos fiéis na Ceia do Senhor”. Podemos casar e constituir nova família, no Santo Matrimônio somos abençoados por Deus e Sua Igreja e assim fortalecidos neste voto e aliança. Desviamo-nos e precisamos da certeza de sermos perdoados por aqueles a quem ofendemos, na Absolvição, provida pela Igreja, temos a segurança do perdão e amor de Deus. Somos chamados a várias espécies de ocupações ou profissões a fim de continuar o trabalho no mundo, como cristãos somos chamados a servir a Deus na nossa vocação e ministério particular, e os que vão servi-lo como ministros ordenados na Igreja de Cristo são separados para o seu ofício especial. Caímos doentes, precisamos de assistência médica ou psiquiátrica a fim de recobrar a saúde, no rito da Unção dos enfermos a Igreja provê para nós um meio pelo qual a graça de Deus pode ser concedida de maneira especial, para a saúde da nossa alma e a libertação dos males do corpo.

Essa correspondência é tão necessária que dificilmente podemos considerá-la acidental. Os membros da família da fé creem que ela é providencial, prevista pelo cuidado de Deus em nosso favor. A vida sacramental da Igreja é parte vital e essencial do Cristianismo.

Deus cuida dos seus filhos, e na sua Igreja nos deu um lar espiritual, no qual crescemos em graça, à medida que crescemos em idade.

Uma comunidade de fé cristã, na Diocese Anglicana do Rio de Janeiro, em comunhão com a Sé de Cantuária; uma comunidade acolhedora, sem imposições moralistas, procurando vivenciar o Evangelho de nosso Senhor Jesus Cristo.