Ubuntu: somos um, em Cristo Jesus!

O sonho de uma comunidade fraterna de irmãos e irmãs, onde não há barreiras de sexo, nacionalidade ou classe social, é o que o Apóstolo São Paulo tentou implementar nas comunidades cristãs primitivas.

Ao sair de forma itinerante, lutando para seu próprio sustento, e proclamando a mensagem de esperança de Deus em Cristo, ele construiu pequenas famílias-igrejas, onde todos compartilhavam da mesma refeição eucarística, onde os pobres e os necessitados eram apoiados pelos mais ricos e onde todos tinham lugar.

Essa proposta radical de igualdade dos povos perante Deus era tão desa-fiadora que, em II Timóteo, aprendemos que “o fim está próximo”. As au-toridades perversas deste mundo, e muitas vezes da igreja institucional, não podiam tolerar uma fé que destrói as barreiras e diminui os privilé-gios dos poderosos em prol dos pobres…

Na África subsaariana, existe um conceito filosófico expresso pela pala-vra Ubuntu. É curioso perceber como Ubuntu (e suas variantes) é uma palavra presente em várias nações africanas, estando presente entre os Zulus, os Xhosa, e os Bantu. Ubuntu, ao pé da letra, significa “humanidade para os outros”, e fora do contexto africano, é muito difícil de se explicar. Entretanto, pode-se dizer que uma pessoa com ubuntu sabe dar apoio aos outros, acolhê-los em suas necessidades e compartilhar de suas dores. Ubuntu significa dar o máximo de si em prol dos outros, sem esperar nada deles.

São Paulo tinha ubuntu. Apesar de todas as perseguições, chegou ao fim de sua vida terrena feliz por ter combatido o bom combate, esperançoso pela coroa da justiça e certo da vitória de Cristo sobre as trevas. Precisamos ter a coragem que ele teve, de proclamar esse Reino de Deus – aqui e agora, para todas as nações. Nesse Reino, não há desigualdade. Não há partidos religiosos. Não há poderosos e oprimidos. Nesse Reino, os humildes são elevados e os poderosos são destronados. E podemos presenciar pedaços deste Reino ainda hoje. É só ter coragem, fé e um pouco de ubuntu.

Não nos deixemos levar pelas palavras bonitas dos hipócritas, que no fundo querem criar barreiras para que os pequeninos alcancem a graça de Deus.

Fecho esta mensagem com uma citação de Santo Inácio, notável pai da Igreja do século II:

“Observe aqueles que são heterodoxos em relação à graça de Cristo Jesus, que veio a nós. Como são contrários à vontade de Deus! Eles não se importam com a festa de amor, nem com a viúva e o órfão, com o oprimido, o ferido, o liberto, o faminto ou o sedento… Eles não têm consideração pelo amor; desprezam as boas coisas que esperamos do porvir; acham que o presente é durável; ridicularizam aquele que está em aflição; riem do que está acorrentado.”

Que tenhamos discernimento para não tolerarmos, nem tomarmos parte, deste tipo de comportamento.

Rev. Luiz Coelho +

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